Adolescência, Adulto e Terceira Idade


Disfunção Erétil

O QUE É

A disfunção erétil (DE), também chamada de impotência sexual, é a dificuldade de manter a ereção peniana, em pelo menos 50% das tentativas, por tempo suficiente para permitir a penetração vaginal e a satisfação sexual. Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), cerca de 50% dos homens brasileiros acima de 40 anos têm alguma queixa em relação às ereções.

Um dos estudos mais respeitados sobre o tema, o Massachusetts Male Aging Study, realizado com 1.290 homens entre 40 e 70 anos idade nos Estados Unidos, demonstrou que 52% deles apresentavam certo grau de disfunção e que 10% tinham total ausência de ereção.

A DE ocorre devido a um desequilíbrio entre a contração e o relaxamento da musculatura lisa do corpo cavernoso. A ereção é o resultado de um trabalho conjunto do sistema nervoso vascular e hormonal. As células das artérias penianas recebem a mensagem para relaxar o tecido muscular, propiciando aumento no fluxo sanguíneo e, assim, inchando o órgão.

As causas da DE variam e podem ser relacionadas a motivos psicológicos, orgânicos ou ambos os casos.

SINTOMAS

Muitos acreditam que a disfunção sexual só acontece em homens que estão na terceira idade (acima de 60 anos). Mas alguns jovens também podem desenvolver o problema. Fique atento aos sinais e procure um médico se detectar algum deles:

• Redução do tamanho e da rigidez peniana

• Incapacidade de obter e manter a ereção

• Redução dos pelos corporais

• Atrofia ou ausência testicular

• Pênis deformado

• Doença vascular periférica (causa o estreitamento e endurecimento das artérias que transportam o sangue para os membros inferiores do corpo)

• Neuropatia (distúrbio das funções do sistema nervoso)

FATORES DE RISCO

A disfunção erétil (DE) pode aparecer em qualquer idade, mas alguns fatores contribuem para o seu surgimento. Veja quais são eles e busque ajuda profissional para voltar a ter uma vida sexual ativa e saudável:

Álcool: quantidades exageradas de álcool ou consumo a longo prazo estão ligadas a problemas de ereção. A desidratação causada no organismo prejudica a circulação na região íntima.

Distúrbios psicológicos: o problema pode começar num dia qualquer em que, por causa da ansiedade, o homem não conseguiu ter a ereção. Se não controlar o medo de sofrer impotência nas próximas oportunidades, a cobrança se torna cada vez maior, o que atrapalha ainda mais o desempenho sexual.

Doenças hormonais: o diabetes pode estar associado à DE porque altera o fluxo de sangue e não há fluxo suficiente para o tecido erétil. Além disso, a queda de testosterona pode impedir uma relação sexual satisfatória.

Doenças neurológicas: lesões na medula, Alzheimer e Parkinson podem impedir que homem tenha ereções.

Doenças vasculares: causam entupimento nas artérias e veias, o que pode prejudicar a chegada de sangue ao pênis.

Medicamentos: o uso de remédios para controlar a pressão alta (hipertensão) pode afetar a ereção como efeito colateral.

Tabagismo: fumar afeta o sistema vascular do corpo e os músculos das paredes das veias e das artérias, alterando a qualidade da circulação sanguínea do corpo. O uso do tabaco aumenta a formação de placas nas artérias, o que dificulta a ereção.

PREVENÇÃO

A prevenção da disfunção erétil pode ser de duas formas:

Causa psíquica: a educação dos meninos pela família e escola deve garantir a autoconfiança e autoestima, combatendo mitos, tabus, preconceitos ou ideias errôneas a respeito da sexualidade.

Causa física: bons hábitos devem ser mantidos, como praticar atividade física com regularidade, dormir bem, ter uma alimentação balanceada, evitar bebidas alcoólicas e cigarro e controlar diabetes. Além disso, é importante evitar traumas na região para não comprometer as ereções.

TRATAMENTO

O tratamento da disfunção erétil varia de acordo com a causa e o estilo de vida do paciente. Após o diagnóstico e a análise clínica, há vários recursos terapêuticos que podem ser utilizados, como:

Injeções intra-cavernosas: agem cerca de 15 minutos após a aplicação e não é necessário qualquer estímulo para que o homem tenha a ereção. A substância injetada estimula a circulação e promove a dilatação das artérias no local, o que aumenta o fluxo sanguíneo no pênis levando à ereção. A duração varia conforme a quantidade injetada.

Medicamentos orais: geralmente, são a primeira opção terapêutica, desde que o paciente não apresente lesões nas artérias do pênis. Essas substâncias melhoram o fluxo sanguíneo para o órgão, o que favorece a ereção. Elas devem ser ingeridas com estômago não muito cheio, por volta de uma a duas horas antes da relação sexual, e variam quanto ao tempo de ação e potência máxima.

Prótese peniana: é um tratamento mais complexo, pois se trata de uma cirurgia. O médico introduz uma haste metálica envolvida em silicone no pênis do paciente, o que faz com que ele fique ereto o suficiente para a penetração. A intervenção dura cerca uma hora e a vida sexual pode voltar ao normal após um mês.

Terapia: se houver algum bloqueio psicológico, um terapeuta com formação em sexologia poderá ser indicado. Conversar com um especialista pode ser útil para mudar a forma de se relacionar com a parceira e as cobranças.

DIAGNÓSTICO

Para ter o tratamento correto da disfunção erétil, o diagnóstico precoce é fundamental. Ao consultar um urologista, ele poderá solicitar um teste de intumescência peniana noturna que deverá ser realizado com ajuda de equipamentos específicos. O aparelho mede a ereção do homem enquanto ele dorme.

O equipamento possui dois anéis conectados a eletrodos, colocados em volta do pênis, que analisam a qualidade das ereções noturnas. Se as ereções espontâneas forem satisfatórias, significa que o sangue chega ao pênis.

Além disso, o ecodoppler peniano pode ser utilizado para medir o fluxo arterial e identificar eventuais obstruções arteriais penianas. Há também as injeções intracavernosas (dentro do corpo cavernoso do pênis) que aumentam o fluxo sanguíneo das artérias, diminuem o calibre das veias e relaxam a musculatura local, produzindo a ereção.

A maioria dos exames têm como intuito identificar se o problema é orgânico ou psicológico.

PERGUNTAS FREQUENTES

Não consigo manter minha ereção após a primeira ejaculação. O que pode ser isso?

O tempo necessário para uma nova ereção varia de pessoa para pessoa e não existe valor definido como normal. Ocorrendo a relação sexual completa, com ereção e ejaculação, a probabilidade de comprometimento físico é mínima.

Após algum tempo de manter relações sexuais, chego ao orgasmo muito rápido. Como faço para prolongar a minha ereção?

Naturalmente a ejaculação é um processo rápido. A fim de prolongar a relação sexual, os seres humanos aprenderam a controlar o reflexo ejaculatório. No entanto, a habilidade para controlar esse processo pode ser afetada por inúmeras influências. Só é possível avaliar se há algum problema com exames.

Após cirurgia de retirada de próstata o homem se torna impotente?

A maioria das cirurgias da próstata não causa impotência. No caso de pacientes operados para tratamento de doenças benignas, a probabilidade de impotência é praticamente nula. No caso de pacientes operados por câncer de próstata, o risco de impotência varia de 30 a 100%, dependendo do caso (estágio da doença, tamanho do tumor, estado da função sexual antes da operação, idade). Todavia, em qualquer caso que o paciente tenha ereções, a sensação de orgasmo permanece praticamente a mesma. Somente a ejaculação está ausente (nos casos de câncer) ou é retrógrada (nos casos de doença benigna).

Estou ejaculando muito rápido. O que pode ser isso?

Um homem pode apresentar diferentes tipos de problemas ejaculatórios que repercutem no relacionamento com sua parceira. O que os estudos dizem é que a maioria dos distúrbios tem origem psicológica e deve ser abordada conjuntamente pelo homem, sua parceira e, se for necessário, com o auxílio de médicos e psicólogos.

Qual especialista devo procurar se apresentar DE?

A disfunção erétil pode ser a consequência sintomática de outras doenças, como a diabetes mellitus e problemas cardiovasculares. Se as terapias aplicadas pela primeira linha de atendimento com o médico generalista (clínico-geral) não apresentarem melhora clínica, um urologista deve ser procurado.

Alimentos que se dizem afrodisíacos funcionam mesmo?

Não há provas científicas de que alimentos como amendoim, anis, pimenta, figo e gengibre, entre outros, estimulem a ereção. O que acontece é que alguns alimentos dão a sensação de bem-estar ao homem e isso estimula os desejos sexuais.

Qual o papel da parceira no tratamento de DE?

A parceira pode ajudar criando uma atmosfera descontraída, sem pressão. Também é recomendável que ela participe das sessões de terapia e estar bem informada dos tratamentos clínicos e terapêuticos.

Como ocorre a ereção peniana e como ela se mantém?

A ereção peniana ocorre pela integração dos sistemas nervoso central e periférico, do sistema vascular e da integridade dos tecidos que compõem o órgão, como também modulação hormonal, principalmente da testosterona. O fluxo arterial nutre os tecidos e com a liberação de substância que fazem a contração das fibras musculares. Durante a ereção, o mecanismo veno-oclusivo mantém a circulação e a pressão do sangue constante.