Vida Adulta e Terceira Idade


Incontinência Urinária

O QUE É

Imagine não poder realizar atividades simples, como passear, participar de uma reunião de trabalho ou ir ao cinema sem se preocupar se há um banheiro por perto? Isso acontece diariamente com cerca de 5% da população mundial e 10 milhões de brasileiros que possuem incontinência urinária (IU). Estudos comprovam que essa condição prejudica muitas pessoas, pois afeta diretamente o convívio social.

A incontinência urinária é a perda súbita de urina de forma involuntária pela uretra. A condição acontece também quando há pequenos escapes diários, não apenas perda grande e incontrolável de urina.

Embora, seja comum em ambos os sexos, pesquisas demonstram que as mulheres tenham mais IU, sendo que cerca de 40% delas acima de 50 anos têm perda de urina.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, afeta cerca de 5% dos homens que realizam a cirurgia de retirada de próstata (prostatectomia). Além disso, com o passar da idade, ocorre diminuição da força da contração muscular pélvica, o que torna muitos idosos incontinentes.

A Campanha Xi... Escapou

Para ajudar a reverter o quadro da incontinência urinária no Brasil e alertar a população sobre a condição, o Instituto Lado a Lado pela Vida, em parceria com a Bigfral, lançou o programa nacional Xi... Escapou.

O objetivo é divulgar a IU para que as pessoas informem-se sobre a condição, conheçam os sintomas, procurem ajuda médica, tenham consciência sobre os tipos de tratamento, saibam a melhor forma de conviver com a situação e ampliem o alcance da conscientização da prevenção.

Para isso, são realizadas diversas ações em empresas, hospitais e locais de grande circulação de pessoas, como palestras, aulas sobre exercícios do assoalho pélvico e atividades lúdicas, além de informações nas mídias digitais, como fanpage e site.

SINTOMAS

A incontinência urinária atinge aproximadamente 5% da população mundial de todas as idades, acometendo com mais frequência mulheres e idosos, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). São 10 milhões de brasileiros com esta condição.

A IU também pode surgir como um sintoma de alguma doença, como infecção urinária, cálculo vesical, tumores de bexiga, poliúria e outras doenças neurológicas como Parkinson, sequelas de AVCs ou lesões na medula.

Qualquer pessoa pode ter IU, mas ela não é igual em todos. Existem três formas principais de incontinência urinária:

Incontinência urinária de esforço: esse tipo de perda urinária ocorre quando a pessoa não tem força muscular pélvica para reter a urina. Sendo assim, as perdas urinárias serão desencadeadas por atividades como espirrar, tossir, rir, levantar pesos ou fazer algo que põe a bexiga sob pressão ou estresse.

Incontinência urinária de urgência: é um desejo tão forte e repentino de urinar que a pessoa não consegue chegar ao banheiro. Pode ocorrer também quando há uma pequena quantidade de urina na bexiga.

Incontinência mista: as perdas urinárias ocorrem durante um esforço e também na presença de urgência.

Incontinência urinária em atletas de alto impacto

Quem realiza atividades físicas de alto impacto também não está livre da incontinência urinária. Durante a prática esportiva, há aumento da pressão intra-abdominal, que pode causar um impacto sobre o assoalho pélvico de três a quatro vezes mais que o peso do atleta.

Esportes que incluem contração abdominal máxima de forma repetitiva, como atletismo, artes marciais, fisiculturismo, basquete, futebol, aumentam a ocorrência de IU.

FATORES DE RISCO

É possível identificar alguns fatores de risco para incontinência urinária. Conheça e evite-os:

BEXIGA HIPERATIVA: este termo é utilizado para pessoas que têm desejo súbito de urinar e dificuldade para controlar o xixi. São mais propensas a ter a incontinência urinária de urgência.

CONSEQUÊNCIA DE CIRURGIAS: um dos tratamentos de tumores na próstata é a prostatectomia radical (remoção total da próstata). Tal cirurgia pode acarretar sequelas, como impotência sexual e incontinência urinária.

CONSTIPAÇÃO CONSTANTE: a constipação pode influenciar de maneira negativa o funcionamento da bexiga. Isso porque o intestino e a bexiga compartilham as mesmas conexões na medula espinhal.

DIABETES MELLITUS: a doença pode prejudicar o funcionamento dos nervos da bexiga devido ao acúmulo de sorbitol (que deriva do metabolismo da glicose).

DOENÇAS DO SISTEMA NERVOSO: o sistema nervoso controla o funcionamento de diversos órgãos, entre eles a bexiga. Quando há lesão na medula, a pessoa pode perder a capacidade de sentir a bexiga cheia.

IDADE: a probabilidade de ter incontinência aumenta com a idade. Em cada 10 homens mais velhos, de 1 a 3 relatam ter incontinência urinária.

INFECÇÃO URINÁRIA: também conhecida como cistite, é possível que agrave a perda involuntária de urina. O tratamento pode melhorar ou curar a incontinência urinária

INSUFICIÊNCIA CARDÍACA: gera retenção de líquidos durante o dia, causando inchaços nas extremidades do corpo. Ao deitar, esses líquidos são reabsorvidos e filtrados pelos rins, o que aumenta a necessidade de levantar à noite para urinar.

FRAQUEZA DE MÚSCULOS DA REGIÃO PÉLVICA E IDADE AVANÇADA: os músculos da região pélvica ajudam a manter a continência urinária. Geralmente, os idosos sofrem o enfraquecimento dessa região, o que pode causar perda urinária e urgência miccional.

MEDICAMENTOS: alguns medicamentos podem dificultar o esvaziamento da bexiga. Sendo assim, há retenção urinária crônica, podendo ocorrer a IU por transbordamento, causando gotejamento contínuo. Esse tipo de incontinência é mais comum em homens que sofrem de aumento da próstata e sentem dificuldade para esvaziar a bexiga.

OBESIDADE: pessoas obesas geralmente têm o aumento da pressão intra-abdominal, podendo comprimir a bexiga e outros órgãos pélvicos. A perda de 5% do peso melhora a IU.

TABAGISMO: o uso de tabaco pode causar doença pulmonar obstrutiva crônica, ocasionando tosses fortes. Esse sintoma pode piorar a incontinência urinária.

PREVENÇÃO

É possível adicionar à rotina do dia a dia uma série de hábitos que evitam a incontinência urinária. Fique por dentro:

• Controle a ingestão de líquidos à noite.

• Evite bebidas alcoólicas e com cafeína.

• Controle o diabetes e o peso corporal.

• Abandone o tabagismo.

• Regule os intervalos entre as micções. Não espere apenas a vontade de urinar para ir ao banheiro.

• Mantenha uma alimentação saudável, com bastante fibras.

• Realize atividades físicas regularmente.

• Reconheça e evite alguns fatores que causam a IU, como uso de remédios diuréticos ou problemas de locomoção em idosos.

Exercícios do assoalho pélvico

Esse treinamento é baseado em exercícios para fortalecer e melhorar a coordenação dos músculos do assoalho pélvico, prevenindo ou melhorando as disfunções nessa região.

É muito utilizado em casos de incontinência urinária, incontinência fecal e disfunções pélvicas, tanto em homens quanto em mulheres. É importante buscar um fisioterapeuta para realizar os exercícios da forma correta.

Como fazer os exercícios

Deitado

• Deite-se de barriga para cima, com os joelhos dobrados e pés apoiados no chão.

• Contraia os músculos do assoalho pélvico por 5 segundos, sem forçar a barriga, bumbum e coxas.

• Relaxe por 5 segundos. Repita 10 vezes.

Sentado

• Sente-se e deixe os pés paralelos e afastados. Contraia os músculos do assoalho pélvico por 5 segundos, sem forçar a barriga, bumbum e coxas.

• Relaxe por 5 segundos. Repita 10 vezes.

• Tenha cuidado com a postura. Essa opção permite que você faça os exercícios enquanto dirige, em casa ou até mesmo no trabalho.

Em pé

• É realizado da mesma forma que os outros: contraia os músculos do assoalho pélvico por 5 segundos sem forçar a barriga, bumbum e coxas. Relaxe por 5 segundos. Repita 10 vezes.

• Tenha cuidado com a postura.

TRATAMENTO

A escolha do tratamento para incontinência urinária ocorre após o diagnóstico e identificação da causa e do tipo de perda urinária. Ela muda de acordo com o quadro clínico de cada paciente.

É possível que uma mesma pessoa faça uma combinação de vários procedimentos para tratar essa condição. Os principais métodos para tratar a incontinência são:

Biofeedback eletromiográfico: o aparelho permite a leitura e interpretação em tempo real da atividade elétrica das fibras musculares do assoalho pélvico por meio de sinais auditivos e ou visuais. Sendo assim, é possível a identificação dos músculos a serem trabalhados, restabelecendo a coordenação e o controle motor voluntário.

Eletroestimulação: é realizada através de técnicas que visam o fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico, pois a disfunção muscular representa uma importante característica da incontinência urinária de esforço.

Medicamentos: o médico poderá optar por um tratamento farmacológico para diminuir o problema.

Técnicas comportamentais: trata-se de treinar a bexiga para controlar a micção, como programar as idas ao banheiro para não ter que ir apenas quando sentir vontade de urina; controlar o consumo de líquidos; evitar cafeína e álcool e iniciar atividade física.

Terapias de intervenção ou cirurgia: podem ser utilizados injeção de material sintético no tecido que envolve a uretra, toxina botulínica (botox) e estimuladores de nervos. Além disso, há a opção de procedimentos cirúrgicos, como o sling (tiras de tecido sintético ou de malha aplicadas em torno da uretra e colo da bexiga, que impedem a micção fora de hora), suspensão do colo da bexiga, cirurgia de prolapso e esfíncter urinário artificial.

Treinamento da bexiga e exercícios do assoalho pélvico: por meio da fisioterapia pélvica, a pessoa com IU realiza exercícios específicos para identificar e fortalecer os músculos da região e ter controle da micção. É um tratamento simples, de baixo custo e não invasivo. É importante buscar um fisioterapeuta para realizar os exercícios da forma correta.

DIAGNÓSTICO

Ao procurar um médico, o paciente com suspeita de incontinência urinária relatará sobre os seus sintomas e histórico médico, além de dizer como está o funcionamento da bexiga e a perda de urina.

Com base nessas informações, o especialista pode solicitar um exame de urina para detectar se alguma anormalidade, como infecções ou presença de sangue. Também pode indicar que o paciente anote por vários dias a quantidade de líquido ingerida e a de urina produzida, quantas vezes urinou e se conseguiu controlar essa vontade. Além disso, pode ser realizada a medição residual pós-miccional, na qual se verifica a quantidade de urina produzida e a restante na bexiga.

Para complementar a análise, o médico pode solicitar os seguintes exames:

Exame urodinâmico completo: avalia as várias fases do ato de produzir, transportar, reter e excretar urina.

Cistoscopia: exame endoscópio das vias urinárias baixas.

Cistografia: procedimento diagnóstico que utiliza imagens de raio-x para examinar a dinâmica urinária da bexiga.

• Ultrassom abdominal e pélvico.

O paciente também pode ter um papel ativo no diagnóstico e tratamento da incontinência urinária. Veja como:

Durante a consulta

• Leve um acompanhante, que pode auxiliá-lo a entender e anotar os pontos principais da consulta.

• Leve uma lista de todos sintomas, juntamente com uma previsão de há quanto tempo eles surgiram.

• Tenha em mãos seu histórico médico, últimos exames realizados e medicamentos que toma regularmente.

Pergunte para seu médico

Durante a consulta médica, não saia com dúvidas. É direito do paciente ter consciência da sua condição e dos próximos passos de superação da doença. Caso seja necessário, leve suas perguntas por escrito, para não esquecer nenhum detalhe.

• Quantas vezes é necessário urinar ao dia?

• Posso fazer alguma coisa de imediato para melhorar os sintomas?

• Que tipos de exames é preciso fazer?

• A minha incontinência urinária temporária?

• Quais são os tratamentos disponíveis e seus efeitos colaterais?

• Existe uma alternativa genérica para o medicamento que você está prescrevendo?

• Tomo outros medicamentos. Esse tratamento que você está indicando vai influenciar no efeito deles?

PERGUNTAS FREQUENTES

Após ter incontinência urinária, o problema permanecerá?

Não. Podem ocorrer episódios de incontinência urinária transitória. Há casos de IU devido a distúrbios psicológicos, dificuldade de locomoção ou ingestão de líquidos em excesso.

Praticar esportes pode causar incontinência urinária?

Sim. Os esportes de alto impacto podem causar a perda involuntária de urina. O esportista pode praticar exercícios de fortalecimento de assoalho pélvico para evitar o problema.

Como é feito o controle da urina?

Para encher e esvaziar a bexiga é necessária uma perfeita coordenação entre o músculo e os esfíncteres (liso e estriado da uretra), em uma harmonia entre sistema nervoso simpático, parassimpático e do relaxamento voluntário do esfíncter esquelético. Dessa forma, para que haja continência (armazenamento) e micção (esvaziamento) adequadas é necessário que a rede neuronal e as estruturas anatômicas estejam preservadas.

Após cirurgia de próstata, o paciente pode apresentar incontinência urinária?

Tanto como a impotência, a incontinência urinária é um dos efeitos colaterais que podem resultar da prostatectomia radical (retirada da próstata). No entanto, a incontinência se apresenta em níveis diferentes, como por estresse depois da cirurgia, quando a urina escapa após esforço do corpo. Como também por transbordamento, em que o fluxo de urina é bloqueado na saída da bexiga pelo tumor ou por cicatrizes no tecido. No caso de incontinência por urgência, a bexiga está sensibilizada e não segura a urina.

É possível controlar a IU com exercícios?

Sim. Com a prática de exercícios é possível melhorar o desempenho da musculatura do assoalho pélvico.

Existem complicações em outras partes do corpo devido à IU?

Em contato frequente com a pele, a urina pode causar feridas e erupções e infecções cutâneas. Também aumenta o risco de infecções do trato urinário.

Qual a necessidade e o que é o estudo urodinâmico?

É um exame realizado para avaliar o funcionamento do trato urinário inferior. Nele, é introduzido um pequeno cateter no interior da bexiga e um balão retal para avaliar a pressão intra-abdominal. O exame é indolor, causa apenas um desconforto. Por meio dele, o médico consegue determinar qual é o melhor tratamento.

Quais as medidas comportamentais podem auxiliar no controle da micção involuntária?

Inicialmente, é preciso avaliar os fatores que causam a IU. Os pacientes podem observar algumas atitudes do dia a dia que podem aumentar a necessidade de ir ao banheiro, como o uso de alguns remédios, diuréticos ou beber líquidos em excesso. Em alguns casos, ao reconhecer as causas, o paciente pode evitar algumas ações e conseguir controlar a urina.