Pesquisa mostra que 76% dos hospitais no Brasil não têm condições para tratar casos de AVC
O estudo do Conselho Federal de Medicina revelou a falta de estrutura e serviços essenciais para tratar os pacientes e evitar óbitos ou sequelas graves.
Da Redação - Publicado: 31/07/2017 - Atualizado: 17/10/2017

Um levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM) com médicos neurologistas e neurocirurgiões de todo o Brasil, divulgado hoje (31), revelou que 76% dos hospitais públicos onde eles trabalham não apresentam condições adequadas para atender casos de AVC (Acidente Vascular Cerebral), segunda principal causa de morte no Brasil.

O CFM ouviu 501 médicos que trabalham em serviços de urgência e emergência de unidades de saúde pública de todo o país. Apenas 3% dos serviços avaliados pelos médicos têm estrutura classificada como muito adequada e 21% como adequada.

A realização de tomografia em até 15 minutos e o acesso ao medicamento trombolítico – usado para desfazer o sangue coagulado nas veias – são alguns dos itens essenciais que não estão disponíveis em muitos casos.

Outras lacunas que dificultam o rápido tratamento deste tipo de emergência são a falta de leitos e de apoio adequado do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Segundo especialistas, o tempo para iniciar os cuidados com esses pacientes é definitivo para evitar sequelas.

Dos 177 mil pacientes internados para tratamento de AVC no SUS no último ano, quase 30 mil tiveram alta de internação por óbito. Além da alta mortalidade, a doença é a primeira causa de incapacidade funcional no país e no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A disponibilidade de recursos humanos também foi apontada como inadequada (28%) ou pouco adequada (44%) em 72% dos hospitais onde atuam os especialistas que participaram da pesquisa. Em 69,6% dos serviços não há equipes médicas em quantidade suficiente para atender os pacientes e que, em quase 50% dos serviços, não há oferta de treinamento para a equipe médica e multidisciplinar.

Saiba mais sobre a importância do atendimento rápido em casos de AVC.

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